Diario
de Pernambuco entrevistou a mãe de Esther Isabelly, de 4 anos, um ano depois da
menina ser morta e encontrada em uma cacimba em São Lourenço da Mata, no Grande
Recife
Nicolle
Gomes
Um ano após o crime, a expectativa pela punição dos responsáveis permanece. Fernanda diz acreditar na condenação dos acusados e espera que isso aconteça o mais rápido possível (Foto: Maurício Ferry/DP Foto)
“Ele
tirou um pedaço de mim”. É assim que a mãe da menina Esther Isabelly, de 4
anos, descreve a dor pela morte da filha, encontrada em uma cacimba em
outubro de 2025. Um ano após o crime, a dona de casa Fernanda Pereira Ramos,
de 35 anos, conversou com o Diario de Pernambuco sobre a perda que
mudou sua vida e a expectativa por Justiça.
Hoje,
morando em uma casa a cerca de 650 metros de onde tudo aconteceu, Fernanda
conta que tenta se distanciar do local em que Esther foi morta. Mesmo em outro
endereço, as lembranças continuam presentes nos cômodos da residência, nas
fotografias espalhadas da menina ao lado dos quatro irmãos.
Fernanda
diz que perdeu a vontade de sair e que, atualmente, costuma deixar a casa
apenas para levar os filhos à escola e acompanhá-los a consultas médicas e
psicológicas. “Todo dia dói”, afirma.
Após
a morte de Esther, ela relata dificuldades para retomar hábitos simples, como
sair com os filhos e visitar a própria mãe. Fernanda também passou a evitar
passeios de que a menina gostava, como ir à praia. Apesar da dor, diz que tenta
seguir em frente pelos outros filhos.
A
ausência de Esther também se revela nos pequenos gestos, na falta que Fernanda
sente dos carinhos da filha ao dormir e acordar. Hoje, esses momentos
permanecem apenas na memória.
Lembranças
Fernanda
conta que Esther, caçula dos cinco irmãos e única menina da família, ocupava um
espaço único. Na mesa onde todos comiam, tinha a própria cadeira. Nos sonhos da
mãe, tinha um futuro inteiro pela frente.
Esther
morreu antes mesmo de entrar na escola. A mãe conta que guardava vídeos com
ideias de como arrumar a menina quando chegasse esse momento e imaginava a
filha crescendo.
“Ele me tirou o sonho de ver minha menina formada, de vê-la dizer: ‘Mãe, eu vou ser uma médica, advogada ou professora’”, desabafa.
A
mãe também conta que Esther não chegou a brincar com todos os brinquedos que
comprou para ela desde que soube que teria uma filha.
“Todo mês eu recebia o Bolsa Família e comprava um brinquedinho. Ela tem os brinquedos todos de uma casinha, mas nem chegou a brincar”, diz.
A
busca por respostas
Um
ano após o crime, a expectativa pela punição dos responsáveis permanece.
Fernanda diz acreditar na condenação dos acusados e espera que isso aconteça o
mais rápido possível. Reconhece, no entanto, que nem mesmo uma decisão judicial
será capaz de encerrar o sofrimento.
“Quanto
mais mexe, mais dói”, comenta. Ainda assim, quer acompanhar o caso até o
fim.
A ausência de Esther presente através imagens na parede de casa (crédito: Foto: Maurício Ferry/DP Foto)
O
motivo do crime permanece sem resposta. Para a mãe, essa é uma das lacunas mais
dolorosas da história.
“Até
hoje eu boto minha cabeça no travesseiro toda noite. E pergunto: ‘Meu Deus,
qual foi o motivo para ele fazer essa crueldade com a minha menina?’”.
Inconformada,
a dona de casa tenta compreender o que poderia ter motivado o crime. “A gente
não falava com ele, nem sequer dirigia um oi, um boa tarde, um bom dia”.
A
mãe de Esther se refere a Fernando Santos de Brito, único réu que segue
preso. Desde dezembro de 2025, Uilma Ferreira dos Santos, ex-companheira
de Fernando, e Fabiano Rodrigues de Lima, ex-vizinho dele, respondem ao
processo em liberdade. Segundo a acusação, os dois teriam tentado acobertar
Fernando e enganar a perícia.
Questionada
sobre o que diria a Fernando, a mãe de Esther reafirma o desejo de entender o
motivo do crime. “Depois, só [queria] esganar ele. Não queria dizer mais nada”,
relata.
Ao
falar da decisão que colocou Uilma e Fabiano em liberdade, ela demonstra
tristeza. “Era para eles estarem presos. Todos três, não era só um”, afirma.
Segurando uma fotografia da filha, com os olhos cheios de lágrimas e a voz trêmula, Fernanda diz que ainda espera por Justiça.



