Pike
sobreviveu a duas doses de medicamento letal na quarta (30) e foi levada ao
hospital. Sua defesa diz não ter informações sobre o estado de saúde. Condenada
por homicídio, ela seria a 1ª mulher executada no Tennessee em mais de 200
anos.
Por
Associated Press
Christa Pike entrando em tribunal no Tennessee, nos Estados Unidos. Foto de dezembro de 2007. — Foto: J. Miles Cary/Knoxville News Sentinel/USA TODAY via REUTERS
A
prisioneira Christa Pike está em estado crítico de saúde no Tennessee,
nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (2), após sua execução fracassar.
Internada
no hospital, sua condição atual é o extremo oposto de como ela estava se
sentindo logo antes de sua execução. Ela disse estar em paz que deixava o
mundo com amor, segundo a agência de notícias Associated Press (AP), que
estava entre as testemunhas do procedimento na prisão.
“Estou pronta para ser livre. Hoje é um dia feliz”, disse Pike em sua declaração final, quando já estava amarrada a uma maca.
No
entanto, o que se sucedeu nas próximas horas foi uma sequência de procedimentos
que não levaram à sua morte, causou inquietude entre os presentes e fez com que
o caso de Pike ganhasse repercussão por todo os EUA e pelo mundo.
Após
levar duas injeções de pentobarital, ela continuou respirando, falou, disse que
seu braço estava doendo e, quando já estava inconsciente, fez sons semelhantes
a roncos e ficou ofegante.
Seu
estado de saúde não havia sido atualizado nesta sexta-feira até a última
atualização desta reportagem.
O
governador do Tennessee, Bill Lee, disse estar "profundamente
desapontado" porque a intenção era realizar a execução sem incidentes. Ele
ordenou a abertura de uma investigação independente sobre o caso.
Pike
foi condenada à morte por torturar e matar Colleen Slemmer, de 19 anos, em
1995. Ela tinha 18 anos à época. Caso sua execução tivesse se concretizado,
Pike, agora com 50 anos, teria sido a primeira mulher executada no Tennessee em
mais de 200 anos.
Execução
falha de Christie Pike: veja minuto a minuto
Todos
os horários nesta reportagem estarão no horário local para deixar a cronologia
dos fatos e a situação na prisão o mais fidedigno possível. Para converter para
o fuso de Brasília, basta adicionar duas horas.
Pike
já estava amarrada à maca, com um acesso intravenoso inserido no braço, quando
agentes penitenciários abriram a cortina da sala de execução às 19h27.
Sua
execução começou por volta das 19h30, logo após sua declaração final. Seu
conselheiro espiritual estava ao lado da maca, próximo à cabeça dela. Ele falou
com ela. Eles cantaram uma música. Não era possível ouvir a letra, mas ela
incluía a repetição da frase — “Eu amo você”. O conselheiro espiritual passou a
mão na testa dela.
Os minutos se passaram. Ela levantou a cabeça e olhou ao redor; sorriu. Em seguida, disse que seu braço estava doendo e perguntou a um agente penitenciário presente na sala se era para sentir aquilo.
Às 19h37,
ela suspirou. As autoridades penitenciárias não confirmaram o que isso
significa, mas a colocação pareceu coincidir com uma orientação do protocolo
que determina que, depois da administração dos medicamentos, começa uma
contagem regressiva de cinco minutos até o fechamento da cortina.
Às 19h41,
uma pedra ou peso de papel do tamanho aproximado de uma bola de golfe foi
colocado sobre uma mureta que separa a sala onde Pike estava da câmara de
execução, por onde o acesso intravenoso era abastecido.
Às 19h46,
os agentes fecharam a cortina, bloqueando a visão dos presentes na sala de
testemunhas para a câmara de execução. O conselheiro espiritual de Pike deixou
a câmara e sentou-se brevemente com o advogado dela na sala destinada às
testemunhas da imprensa.
Três
minutos depois, às 19h49, a cortina foi aberta novamente. O conselheiro
espiritual voltou à câmara e ficou ao lado dela.
Em determinado momento, Pike pareceu começar a perder a consciência e passou a emitir um som semelhante a roncos. Ela continuou fazendo isso durante a hora seguinte —um sinal de que estava viva muito depois do momento em que se esperava que estivesse morta.
Por
volta das 19h56, a cabeça dela se ergueu ligeiramente da maca e virou
para o lado. Ela continuou respirando.
Às 20h06,
as autoridades fecharam a cortina novamente.
Durante
os 40 minutos seguintes, era possível ouvir Pike do outro lado da cortina. Ela
parecia estar roncando, com um padrão de respiração rítmico e regular.
Por
volta das 20h22, o advogado de Pike, Randy Spivey, exigiu acesso a um
telefone para entrar em contato com outros advogados da equipe e logo exigiu
que a execução fosse interrompida e que a detenta recebesse atendimento médico
para salvar sua vida.
Por
volta das 20h50, Spivey obteve a confirmação de que uma ambulância
estava a caminho.
Às 20h53,
veio o anúncio: “As testemunhas devem deixar a área”. A imprensa foi escoltada
para fora, e um porta-voz da prisão disse que não tinha informações a fornecer
sobre o que havia acontecido.
Às 21h14, caminhões de bombeiros e ambulâncias chegaram em frente à prisão.

