Eric
Conrado pediu que a profissional o representasse, mas ela recusou e aceitou
comunicar a delegacia após receber o dinheiro. Ele foi preso na noite de
quarta-feira (4), no Jaguaré.
Por
Wallace Lara, Marília Barbosa, TV Globo e g1 SP — São Paulo
Eric Conrado (ao centro) é suspeito de matar Anna Gabriela e o filho dela, Raphael, em Cotia, Grande São Paulo. — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Eric
Conrado, suspeito de matar a advogada Anna Gabriela e o filho dela,
Raphael, de 6 anos, fez um Pix de R$ 5 mil para uma advogada comunicar à
polícia a localização dos corpos das vítimas. A informação é de que o
empresário pediu inicialmente que a profissional o representasse, mas ela
afirmou que não poderia assumir a defesa dele.
Em
seguida, ele pediu que ela avisasse a delegacia sobre os corpos. A advogada
aceitou fazer a comunicação depois de receber a transferência bancária.
Os
corpos de Anna Gabriela e Raphael foram encontrados na noite de terça-feira
(3), em um apartamento em Cotia, na Grande São Paulo. A comunicação à
polícia foi feita por uma advogada que veio do interior de São Paulo, por volta
das 19h.
O
principal suspeito do crime, Eric Conrado, ex-namorado de Anna Gabriela, foi
preso na noite de quarta-feira (4), no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste da
capital.
Ele
ficou por 5 horas e 20 minutos no apartamento das vítimas e, antes de
sair, teria limpado o local para tentar apagar vestígios do crime.
Segundo
a Polícia Civil, ele lavou pratos, passou pano no chão, ajeitou a cama onde os
corpos foram deixados e colocou um incenso próximo à porta para tentar
disfarçar o cheiro dos cadáveres.
As
informações foram divulgadas nesta quinta-feira (5), durante uma coletiva de
imprensa com os delegados responsáveis pela investigação. O suspeito, Eric
Conrado, namorado de Anna Gabriela, foi preso na noite de quarta-feira (4), no
bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo.
Apesar
de a polícia ter dito inicialmente que eles eram ex-namorados, a delegada
responsável pelo caso, Mônica Gamboa, afirmou que eles reataram e eram
namorados no momento do crime.
"Um relacionamento de aproximadamente três anos, entre ida e vindas, idas e vindas. Eles estavam separados, tiveram um reatamento desse namoro, no início de outubro, no período eleitoral, eles voltaram a se reencontrar", disse.
De
acordo com Mônica, Eric chegou ao apartamento na noite de domingo (1), por
volta das 21h40, acompanhado de Anna Gabriela e Raphael. Ele deixou o imóvel
sozinho às 2h15 da madrugada de segunda-feira (2).
Anna Gabriela e Eric, suspeito de matar a ex-companheira e o filho dela — Foto: Arquivo Pessoal
As
câmeras de segurança do condomínio registraram a entrada dos três e a saída do
suspeito sem as vítimas.
"Ele
ficou 5 horas e 20 dentro do apartamento. Nesse período, ele possivelmente
praticou os crimes e fez a higienização do apartamento", afirmou a
delegada.
A
polícia ainda não conseguiu determinar o horário exato das mortes. Os corpos
foram encontrados na noite de terça-feira (3), por volta das 19h, depois que
uma advogada, que veio do interior de São Paulo, comunicou o caso às
autoridades.
Segundo
a investigação, os corpos já estavam no apartamento havia aproximadamente 50
horas quando foram submetidos à perícia.
No
imóvel, os policiais também encontraram um incenso posicionado próximo à porta.
"A gente acredita que seja para disfarçar o cheiro dos cadáveres",
disse a delegada.
Qual
foi a causa das mortes?
De
acordo com a Polícia Civil, a causa da morte de Anna Gabriela e Raphael foi
asfixia. A informação é preliminar e foi identificada durante os exames
realizados no Instituto Médico Legal (IML) de Cotia.
A
delegada responsável pela investigação acompanhou as necropsias, mas afirmou
que a polícia ainda aguarda os laudos oficiais para obter mais detalhes sobre
as circunstâncias das mortes.
Eric Conrado Alves de Almeida, de 41 anos, teve prisão temporária decretada — Foto: Arquivo Pessoal
Como
Eric Conrado foi encontrado?
Eric
foi localizado na noite de quarta-feira (4), em uma residência no bairro do
Jaguaré, na Zona Oeste da capital.
Segundo
a delegada, a polícia utilizou recursos de monitoramento e investigação
telemática para rastrear o paradeiro do suspeito. A localização foi descoberta
após uma negociação e a colaboração de familiares dele.
O
imóvel onde Eric estava foi descrito pela polícia como uma casa simples, com
uma edícula escondida e de difícil acesso. Os investigadores precisaram
utilizar lanternas para chegar ao local, que tinha uma escadaria.
A
delegada afirmou que chegou a ser considerada a possibilidade de negociar a
apresentação do suspeito com a família, mas isso não foi necessário porque a
colaboração ocorreu antes da análise do pedido.
A
polícia também investiga se a mãe de Eric teve alguma participação no caso. Até
o momento da coletiva, não havia confirmação de envolvimento criminoso. A
delegada afirmou que a eventual participação da familiar ainda seria apurada
formalmente.
Eric
Conrado confessou o crime?
Não.
Até o momento da coletiva, Eric ainda não havia sido interrogado formalmente
pela Polícia Civil. No entanto, o empresário passou por audiência de custódia e
exame de corpo de delito depois de ser preso.
O
interrogatório e as demais providências de polícia judiciária estavam previstos
para começar na tarde desta quinta-feira (5).
A
delegada esclareceu que Eric apenas comunicou à própria advogada que havia dois
corpos em determinado endereço e que eles seriam da namorada e do filho dela.
"Ele
não fala que ele matou, ele noticia para a advogada que no determinado endereço
tem dois corpos sobre a cama, e que esses corpos são da namorada e do filho
dela", explicou.
O
suspeito teve a prisão temporária decretada por 30 dias e permanece custodiado
na Delegacia Central de Cotia, em cela separada por questões de segurança.
Qual
era a relação entre Eric e Anna Gabriela?
Segundo
a delegada, Eric e Anna Gabriela mantinham um relacionamento de aproximadamente
três anos, marcado por idas e vindas.
Os
dois estavam separados, mas reataram no início de outubro.
A
policial afirmou que, nas poucas palavras trocadas com Eric após a captura, ele
se referiu à advogada como "a mulher da vida dele" e "o amor da
vida dele".
A delegada classificou a relação como passional e afirmou que o suspeito demonstrava uma espécie de idolatria por Anna Gabriela.



